Comboios no Huambo em Dezembro
Pubblicato da Ukamba su Novembre 8, 2008
Até finais de Dezembro do corrente ano, a ligação entre as cidades do Lobito e Huambo será feita através do comboio, garantiu em entrevista ao Jornal de Angola o director-geral do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), Daniel Quipaxi. O responsável salientou ainda que os trabalhos de reabilitação e modernização em curso são concluídos dentro dos prazos estabelecidos. Neste momento, já se circula no troço Lobito-Cubal, com três viagens semanais, num trajecto de 153 quilómetros.
A linha férrea do Caminho-de-Ferro de Benguela, desde a base, na cidade do Lobito, até ao município do Chinguar, no Bié, está a ser reabilitada e modernizada. A reportagem do “Jornal de Angola” foi ver as obras em curso.
O programa de modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) prevê a construção de novas estações, cómodas, e onde vão ser instalados serviços modernos com conteúdos informativos e entretenimento para os passageiros. Os comboios vão ter carruagens de primeira classe e económica.
A conclusão da ligação entre o Lobito e a cidade do Huambo está prevista para Dezembro. Os trabalhos avançam com grande velocidade, para os prazos serem cumpridos, como foi estabelecido entre o Gabinete de Reconstrução Nacional(GRN) e o empreiteiro chinês, a construtora CR-20. Segundo o director-geral do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), Daniel Kipaxe, O GRN e a construtora chinesa já garantiram a execução da obra no prazo previsto.
De acordo com Daniel Kipaxe, a comunidade nacional e internacional encontra-se ávida pela entrada em funcionamento do comboio que, numa primeira fase, vai facilitar a vida dos angolanos e igualmente transportar milhares de toneladas de mercadorias a partir do Porto do Lobito com destino às províncias do Huambo, Bié, Moxico e regiões fronteiriças. A direcção do CFB tem registado o interesse de algumas entidades da região da SADC, que aguardam ansiosamente pela entrada em funcionamento do comboio.
Este desejo dos países vizinhos é manifestado nos fóruns em que a direcção do CFB tem participado com outras organizações congéneres. “Nos diferentes encontros, a informação que passamos é que o Governo angolano está empenhado em que tudo corra sem sobressaltos e que o processo de reconstrução e modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela termine mesmo em 2012, quando o comboio chegar às fronteiras de Angola com a RDC e a Zâmbia”, afirmou o director-geral do CFB.
Trabalho permanente
Daniel Kipache afirmou que existe um forte empenho da empreiteira chinesa que tem, ao longo da via, várias brigadas a trabalhar em regime permanente. A velocidade com que decorrem os trabalhos, segundo Daniel Kipaxe, não retira nenhuma qualidade à obra que está a ser executada. “Sou peremptório em afirmar que as obras em curso são de qualidade”.
Os empreiteiros têm trabalhado para que tudo decorra com uma margem mínima de erros, para proporcionar total segurança aos comboios. “Um dos fortes interesses do Governo é tornar o CFB numa empresa forte, para competir com qualquer concorrente do ramo ferroviário a nível de África e mesmo no resto do mundo”, disse Daniel Kipache.
O director-geral do CFB acrescentou que “a empreiteira chinesa, independentemente do trabalho que efectua, está a dar emprego a milhares de jovens angolanos. Ao longo da via existem muitas povoações, aldeias, comunas e sedes municipais. É aí que são recrutados os trabalhadores que prestam serviços neste importante empreendimento, que vai alavancar a economia”.
Daniel Kipaxe lamentou o facto de existirem algumas vozes que consideram descartável todo o processo de reconstrução e modernização que está a viver o CFB. “Tudo isso é dor de cotovelo. São pessoas que precisam conhecer melhor o que está a ser feito”. O investimento total da obra é superior a dois biliões de dólares.
Segurança e modernização
Estão a ser recrutados muitos jovens com formação média e superior, a quem estão a ser dados cursos profissionais. Estes jovens estão a ser recrutados nos locais de residência e vão ser funcionários efectivos da companhia ferroviária. A formação está orientada segundo as necessidades da empresa, sobretudo o controlo de tráfego e informática.
Alguns desses trabalhadores estão a receber formação na área da expedição e entrega de bagagens e mercadorias.
Assim que a linha esteja concluída, o comboio vai circular a uma velocidade máxima de 90 km/h. As comunicações entre as estações e as composições são feitas através de cabo de fibra óptica, sob controle de um sistema de telefone programado de transmissão digital.
As proximidades das estações são vedadas para evitar que transeuntes passem de um lado para o outro, desrespeitando as normas de segurança. As passagens de nível serão guarnecidas e devidamente sinalizadas.
O projecto prevê a construção de mais de duas dezenas de novas estações, com um padrão arquitectónico idêntico às que já existiam e que identificam o CFB.
A entrada em funcionamento do caminho-de-ferro é de capital importância para a província do Huambo, disse o director-geral do CFB, Daniel Quipaxe. “Foram muitos anos em que o litoral e a região do Planalto Central estiveram desligados. A circulação do comboio reveste-se de forte importância na vida política e económica das populações”.
Com os vagões de carga a circular, a vida dos empresários está mais facilitada, porque as tarifas são menos onerosas em relação a outros meios de transporte.
“As populações rurais também vão ganhar muito, pois as trocas comercias entre o campo e a cidade terão um ritmo mais elevado e os produtos agrícolas já não ficam estagnados à espera dos intermediários”, disse Daniel Kipache.
“Politicamente é um sinal positivo que se dá à população visto que o Governo está a cumprir o seu dever de resolver os problemas da população. Mas devemos reconhecer que não basta só a boa vontade. É necessário o empenho de todos, para termos o Caminho-de-Ferro de Benguela com um serviço de qualidade à altura das necessidades”, disse Daniel Kipaxe.
Viagens na linha Lobito/Cubal
A variante Lobito/Cubal, numa extensão de 153 quilómetros, é servida por comboios três vezes por semana. As composições têm carruagens para passageiros e vagões de transporte de mercadorias.
A linha serve igualmente de suporte para as obras de reabilitação no sentido ascendente do CFB, do Cubal em direcção à província do Huambo, revelou o chefe da estação do Cubal, Eugénio Lopes.
De acordo com o chefe da estação do Cubal, as três vezes que o comboio chega àquela cidade proveniente do Lobito, transporta vários milhares de passageiros e diversos produtos para serem comercializados.
Do Cubal partem milhares de pessoas para as cidades do litoral da província de Benguela, transportando produtos do meio rural.
“Devo dizer que as pessoas transportam consigo bens alimentares e industriais para serem comercializados nas cidades do Cubal e Ganda e respectivas comunas e aldeias. Das aldeias e comunas saem os produtos do campo que são comercializados nas grandes cidades. Os três dias de comboio facilitam aos comerciantes as transacções e o seu transporte para as suas residências com o meio de transporte mais barato, no caso o comboio”, disse Eugénio Lopes, acrescentando: “é uma alegria quando o comboio apita. Na estação do Cubal regista-se um movimento infernal de pessoas que até parece que o mundo só existe no Cubal”.
Para Eugénio Lopes, que é funcionário do CFB há mais de 40 anos, o momento de reabilitação e modernização que se está a registar é um das fases mais importantes da história da empresa.